Trierweiler, Valérie; Merci pour ce moment; Éditions des Arènes, Paris, 2014
Valérie deixou marido e filhos para ser a companheira de François Hollande.
Em seu livro conta um pouco de sua infância pobre. Seu pai lutou na Segunda Guerra, perdeu uma perna e tornou-se bêbado e violento. Sua mãe não teve grandes estudos, mas esteve presente à mesa onde seus filhos faziam os deveres escolares. Enquanto fazia tricô, tomava as recitações de poesias e as tabuadas. Assim que foi possível, arrumou emprego e se desdobrou para dar conta de tudo.Valérie era a primeira da classe, mas não era aceita pelas famílias de colegas que tinham melhor posição social. Prosseguiu os estudos, e saiu de casa para ser jornalista. Nesta profissão, dedicou-se ao jornalismo político. Foi assim que conheceu François Hollande, que era casado com Ségolène Royal, que também era política e chegou a ser ministra de Mitterrand.
Valérie não se julga oportunista pois quando o conheceu, Hollande tinha apenas 3% das intenções de voto. A situação mudou por ocasião do escândalo de Strauss-Kahn, que se retirou da disputa presidencial. As chances de Hollande aumentaram e venceu as eleições. Segolène também tinha sido superada nas prévias do partido. Tempos atrás ele tinha sido chamado de M. Royal por um jornalista, e comentou em particular que isto seria pago.
Na convivência com Hollande, ela testemunhou a importãncia que a política tinha na vida dele. Certa vez ele comentou penalizado que um conhecido era fracassado porque não tinha conseguido ser presidente. Ele não se interessava por literatura, arte, etc. Não lia os artigos culturais que ela escrevia, depois de ter abandonado o jornalismo político. Na convivência ele se mostrou frio e até grosseiro.
Quando começaram os comentários sobre a ligação dele com a artista Julie Gayet , muitas vezes ele negou dizendo que não passavam de fabulações.Na verdade, ela menciona mentiras ditas por ele em várias ocasiões. Esta artista pertence a uma família rica e que mora num palacete. Já a família de Valérie foi foi chamada por ele de ¨jojo¨ , que tanto quer dizer bonita, como insuportável. Isto depois de saírem de um almoço de Natal.
Ela também relata que ele costuma ser bem humorado e agradável em público, mas que faz comentários sarcásticos em particular.
Segundo Valérie ,¨Ele se apresentou como homem que não gosta dos ricos. Na realidade, o Presidente não ama os pobres. Ele, homem de esquerda, diz em particular ¨os sem dentes¨, muito orgulhoso do seu traço de humor¨. (p 229)
Valérie não renega sua família humilde, e guarda boas lembranças tanto da avó como da mãe e irmãos. Em sua família aprendeu a dizer as coisas olhando nos olhos.
Na convivência com Hollande teve a sensação de ser ignorada e servir de para-raio quando as coisas não corriam bem para ele.
Em 2013 finalmente, ela decidiu deixá-lo e a imprensa passou a chama-la de ex-primeira-namorada. Atualmente ela continua a fazer aparições em público e se dedica a obras beneficentes.
Hollande não deixa de lhe mandar mensagens, especialmente quando imagina que ela encontra outros homens.
Na opinião dela, os homens públicos querem tudo e o contrário de tudo. Cita Victor Hugo na peça Lucrèce Borgia, quando esta personagem se dirige ao marido Don Alphonso: ¨Vós deixastes o povo rir de mim, vós o deixastes me insultar...¨E comenta que a tragédia é eterna. Ao lado dele viveu grandes momentos, mas também sofreu humilhações, suportou mentiras e foi ignorada.
Quando decidiu deixá-lo , Hollande deu satisfação ao público em dezoito palavras. O livro é a réplica dela.
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