sábado, 1 de março de 2014

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Estes, Clarissa Pinkola; MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS; Editora Rocco, 1992
A autora é analista junguiana, descende de uma família hispano-mexicana e foi criada por uma família húngara.
Ao estudar os lobos viu que há uma semelhança psíquica entre lobos e mulheres: percepção aguçada , espírito brincalhão e elevada capacidade de devoção. Lobos e mulheres são gregários, curiosos, dotados de grande resistência e força. São intuitivos e têm grande preocupação com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha.
Ao longo do livro ela interpreta várias histórias a partir de sua posição como analista, ou seja; mostrando como comportamentos evoluem levando em conta os arquétipos ( estruturas psíquicas que pertencem à humanidade e que independem de época e cultura ). As histórias mostram como estas estruturas são abafadas.
Barba-Azul
Ele se casa com uma jovem ingênua ( as irmãs mais velhas não quiseram se casar com ele ). Antes de partir em viagem diz que ela é livre para fazer o que quiser, mas não deve abrir uma determinada porta. Em seguida ele lhe entrega um molho de chaves e parte. A jovem recebe a visita das irmãs e, curiosas, abrem a porta. A chave cai e fica manchada com o sangue dos cadáveres das antigas esposas. Ele volta, descobre tudo e quer matá-la. A jovem pede quinze minutos para se preparar para a morte. Em seguida diz às irmãs que fiquem na muralha e grita perguntando se os irmãos estão vindo. Só na terceira vez a resposta é afirmativa. Os irmãos entram no castelo montados em seus cavalos e matam o Barba- Azul.
O BA é o homem sinistro que habita a psique feminina. É o predador inato. Para combatê-lo, as mulheres precisam de todos os seus instintos e de maturidade. A irmã mais nova concordou em se casar porque desejava um novo status. Teve medo, mas depois achou que era bobagem, pois o BA não era tão mau assim. Nas mulheres mais jovens o sistema de alarme não totalmente desenvolvido. As meninas sonham com um ser deslumbrante e são os pais que devem protegê-las. Se forem vibrantes e determinadas, elas se envolverão com o predador. O problema é que como foram educadas para serem boazinhas (antes dos cinco anos), elas acham que podem curar o homem que amam.
O uso da chave proibida permite o conhecimento dos segredos mais profundos e obscuros da psique, ou seja: aquilo que degrada o potencial feminino. O BA dizendo que ela pode fazer o que quiser, dá uma falsa ideia de liberdade. Ela, no entanto, não é livre porque não pode conhecer o lado sinistro do predador. A ingênua concorda em continuar na ignorância e se deixa seduzir pela ideia de conforto e ascensão social. Nesta altura pode começar a ter sonhos que mostram o que ela não ousa pensar (Uma mulher sonhou que um homem encantador tinha arame farpado desenrolando de dentro de sua manga). O sangue que a jovem vê no quarto proibido continua escorrendo e manchando tudo. É preciso que a jovem pergunte o que ela sabe lá no fundo de si mesma e que prefere não saber. E qual é a parte dela que está morrendo ou agonizando. Os esqueletos das antigas esposas representam a parte indestrutível das mulheres. Quando a jovem pede quinze minutos, age de modo astucioso para reunir
forças e armar o bote. Quando grita às irmãs perguntando pelos irmãos, ela está invocando os aspectos de sua psique que foram treinados para a luta. É a natureza combativa entrando em ação. A jovem substitui os olhos vidrados por olhos vigilantes. O corpo do BA é deixado aos abutres, que na mitologia são os espíritos devoradores de pecados. “ Na mitologia nórdica os devoradores de pecados eram os carniceiros que se alimentavam dos mortos, incubavam-nos no ventre e os levavam para Hel, que não é um lugar, mas uma pessoa. Hel é a deusa da vida e da morte. Ela ensina os mortos como viver da frente para trás. Eles vão se tornando mais jovens até que estão prontos para renascer e voltar à vida.” Então eles podem viver uma vida menos beligerante. Em vez de insultar o predador, pode-se desarmá-lo. Como ¿ Não permitindo pensamentos discordantes a respeito da nossa alma e especialmente do nosso valor. Desarmamos o predador ao enfrentar suas invectivas com a proteção de nossas próprias verdades. Predador: “ você nunca termina nada que começa “. Você: “termino muitas coisas, sim”. Enfraquecemos os ataques do predador natural levando a sério o que for verdade no que ele disser, trabalhando essas verdades e ignorando o resto. É preciso resistir à tentação das fantasias cheias de glacê e frufru. Se a mulher enfrentar o predador, ele será incubado e devolvido à vida.
A analista conta que ouviu muitas desculpas: “ Não tenho talento, não sou importante, não tenho instrução, não sei como fazer, não sei quando fazer, mas a mais revoltante de todas é não tenho tempo.” Ela aconselha a diminuir a negatividade. Para isso é necessário limitar ou rarear certos relacionamentos. Isto porque se a mulher é cercada por pessoas que se opõem à sua vida profunda ou que são descuidadas com ela, seu predador interior disso se alimenta desenvolvendo mais força dentro de sua psique e sendo mais agressivo com ela. A autora aconselha a fazer perguntas e ouvir a voz interior. A mulher selvagem ensina às mulheres quando não deve ser boazinha no que diz respeito à expressão de suas almas. Quando ela deixar de ser ingênua, a chave vai parar de sangrar.
Vasalina
Mãe superprotetora dá à sua filha Vasalina uma boneca. A mãe estava agonizando e a bonequinha está vestida exatamente como a filha. O pai volta a se casar e a madrasta e suas filhas são más. O fogo da casa tinha se apagado e como elas querem se livrar dela, ordenam que vá à floresta pedir brasa à velha que mora lá. A velha diz que ajudará, mas só depois que ela executar algumas tarefas. Vasalina ajudada pela boneca dá conta dos trabalhos e volta para casa.
A boneca representa a intuição de Vasalina que não necessita mais da proteção materna .
Seguem-se outras histórias em que o essencial é manter a coerência entre a vida interior e o que se faz em sociedade. O mal a ser combatido está não só em nosso interior como também nas pressões sociais. É claro que todas estas considerações valem para mulheres e homens, embora a autora tenha focado o mundo feminino.
“ É vindo dessa terra que voltamos para nossas roupas, para nossas vidas do dia-a-dia. Voltamos daquele local selvático para nos apresentar diante do computador, diante da panela, da janela, do professor, do livro, do freguês. Instilamos o mundo selvagem no nosso trabalho,
na criatividade, no mundo dos negócios, nas nossas decisões, na nossa arte, no trabalho das nossas mãos...”

“Use o seu amor além dos seus bons instintos para saber quando rosnar, quando atacar, quando aplicar um golpe violento, quando matar, quando recuar, quando ladrar até de madrugada. Todas nós podemos afirmar pertencer ao antigo clã das cicatrizes, escrever nossos segredos nas paredes, não aceitar sentir vergonha, abrir o acesso à saída.”...

“Não vamos nos desgastar com a raiva.”

http://www.estrelaeterra.blogspot.com.br/EstesEstés, Clarissa Pinkola; MULHERES QUE CORREM COM OS LOBOS; Editora Rocco, 1992

A autora é analista junguiana, descende de uma família hispano-mexicana e foi criada por uma família húngara.
Ao estudar os lobos viu que há uma semelhança psíquica entre lobos e mulheres: percepção aguçada , espírito brincalhão e elevada capacidade de devoção. Lobos e mulheres são gregários, curiosos, dotados de grande resistência e força. São intuitivos e têm grande preocupação com seus filhotes, seu parceiro e sua matilha.
Ao longo do livro ela interpreta várias histórias a partir de sua posição como analista, ou seja; mostrando como comportamentos evoluem levando em conta os arquétipos ( estruturas psíquicas que pertencem à humanidade e que independem de época e cultura ). As histórias mostram como estas estruturas são abafadas.
Barba-Azul
Ele se casa com uma jovem ingênua ( as irmãs mais velhas não quiseram se casar com ele ). Antes de partir em viagem diz que ela é livre para fazer o que quiser, mas não deve abrir uma determinada porta. Em seguida ele lhe entrega um molho de chaves e parte. A jovem recebe a visita das irmãs e, curiosas, abrem a porta. A chave cai e fica manchada com o sangue dos cadáveres das antigas esposas. Ele volta, descobre tudo e quer matá-la. A jovem pede quinze minutos para se preparar para a morte. Em seguida diz às irmãs que fiquem na muralha e grita perguntando se os irmãos estão vindo. Só na terceira vez a resposta é afirmativa. Os irmãos entram no castelo montados em seus cavalos e matam o Barba- Azul.
O BA é o homem sinistro que habita a psique feminina. É o predador inato. Para combatê-lo, as mulheres precisam de todos os seus instintos e de maturidade. A irmã mais nova concordou em se casar porque desejava um novo status. Teve medo, mas depois achou que era bobagem, pois o BA não era tão mau assim. Nas mulheres mais jovens o sistema de alarme não totalmente desenvolvido. As meninas sonham com um ser deslumbrante e são os pais que devem protegê-las. Se forem vibrantes e determinadas, elas se envolverão com o predador. O
problema é que como foram educadas para serem boazinhas (antes dos cinco anos), elaS acham que podem curar o homem que amam.
O uso da chave proibida permite o conhecimento dos segredos mais profundos e obscuros da psique, ou seja: aquilo que degrada o potencial feminino. O BA dizendo que ela pode fazer o que quiser, dá uma falsa idéia de liberdade. Ela, no entanto, não é livre porque não pode conhecer o lado sinistro do predador. A ingênua concorda em continuar na ignorância e se deixa seduzir pela idéia de conforto e de ascensão social. A porta é uma barreira psíquica e pode esconder uma surpresa desagradável. Quando a ingênua quer examinar o que está atrás da porta, então começa a amadurecer. E quando consegue suportar a visão do que está lá, toma posse de sua natureza selvagem e profunda. É aí que começa a ter suporte para seus pensamentos e ações. E acaba descobrindo que foi ela que permitiu o massacre de seus desejos. Nesta altura pode começar a ter sonhos que mostram o que ela não ousa pensar (Uma mulher sonhou que um homem encantador tinha arame farpado desenrolando de dentro de sua manga). O sangue que a jovem vê no quarto proibido continua escorrendo e manchando tudo. É preciso que a jovem pergunte o que ela sabe lá no fundo de si mesma e que prefere não saber. E qual é a parte dela que está morrendo ou agonizando. Os esqueletos das antigas esposas representam a parte indestrutível das mulheres. Quando a jovem pede quinze minutos, age de modo astucioso para reunir forças e armar o bote. Quando grita às irmãs perguntando pelos irmãos, ela está invocando os aspectos de sua psique que foram treinados para a luta. É a natureza combativa entrando em ação. A jovem substitui os olhos vidrados por olhos vigilantes. O corpo do BA é deixado aos abutres, que na mitologia são os espíritos devoradores de pecados. “ Na mitologia nórdica os devoradores de pecados eram os carniceiros que se alimentavam dos mortos, incubavam-nos no ventre e os levavam para Hel, que não é um lugar, mas uma pessoa. Hel é a deusa da vida e da morte. Ela ensina os mortos como viver da frente para trás. Eles vão se tornando mais jovens até que estão prontos para renascer e voltar à vida.” Então eles podem viver uma vida menos beligerante. Em vez de insultar o predador, pode-se desarmá-lo. Como ¿ Não permitindo pensamentos discordantes a respeito da nossa alma e especialmente do nosso valor. Desarmamos o predador ao enfrentar suas invectivas com a proteção de nossas próprias verdades. Predador: “ você nunca termina nada que começa “. Você: “termino muitas coisas, sim”. Enfraquecemos os ataques do predador natural levando a sério o que for verdade no que ele disser, trabalhando essas verdades e ignorando o resto. É preciso resistir à tentação das fantasias cheias de glacê e frufru. Se a mulher enfrentar o predador, ele será incubado e devolvido à vida.
A analista conta que ouviu muitas desculpas: “ Não tenho talento, não sou importante, não tenho instrução, não sei como fazer, não sei quando fazer, mas a mais revoltante de todas é não tenho tempo.” Ela aconselha a diminuir a negatividade. Para isso é necessário limitar ou rarear certos relacionamentos. Isto porque se a mulher é cercada por pessoas que se opõem à sua vida profunda ou que são descuidadas com ela, seu predador interior disso se alimenta desenvolvendo mais força dentro de sua psique e sendo mais agressivo com ela. A autora aconselha a fazer perguntas e ouvir a voz interior. A mulher selvagem ensina às mulheres quando não deve ser boazinha no que diz respeito à expressão de suas almas. Quando ela deixar de ser ingênua, a chave vai parar de sangrar.
Vasalina
Mãe superprotetora dá à sua filha Vasalina uma boneca. A mãe estava agonizando e a bonequinha está vestida exatamente como a filha. O pai volta a se casar e a madrasta e suas filhas são más. O fogo da casa tinha se apagado e como elas querem se livrar dela, ordenam que vá à floresta pedir brasa à velha que mora lá. A velha diz que ajudará, mas só depois que ela executar algumas tarefas. Vasalina ajudada pela boneca dá conta dos trabalhos e volta para casa.
A boneca representa a intuição de Vasalina que não necessita mais da proteção materna .
Seguem-se outras histórias em que o essencial é manter a coerência entre a vida interior e o que se faz em sociedade. O mal a ser combatido está não só em nosso interior como também nas pressões sociais. É claro que todas estas considerações valem para mulheres e homens, embora a autora tenha focado o mundo feminino.
“ É vindo dessa terra que voltamos para nossas roupas, para nossas vidas do dia-a-dia. Voltamos daquele local selvático para nos apresentar diante do computador, diante da panela, da janela, do professor, do livro, do freguês. Instilamos o mundo selvagem no nosso trabalho, na criatividade, no mundo dos negócios, nas nossas decisões, na nossa arte, no trabalho das nossas mãos...”

“Use o seu amor além dos seus bons instintos para saber quando rosnar, quando atacar, quando aplicar um golpe violento, quando matar, quando recuar, quando ladrar até de madrugada. Todas nós podemos afirmar pertencer ao antigo clã das cicatrizes, escrever nossos segredos nas paredes, não aceitar sentir vergonha, abrir o acesso à saída.”...





“Não vamos nos desgastar com a raiva.”

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